Moon News 2014


Namaskara Moon News – Artigo final 2014

O que o Fim e o Início de Ano Tem a Ver com Respirar?

Texto e Ilustração por Mario Reinert

O conceito de Prana, da energia vital que tudo permeia e que a tudo faz viver não se limita a entender a respiração como a entrada e saída de ar dos pulmões. Nem tão pouco com a troca de gases por meio do sistema circulatório. O Prana vai muito além, ele é o pulso da vida, expansão e retração.

Tudo o que existe está em movimento, talvez imperceptível do ponto de vista que estamos, como a terra que nos parece parada, mas que vista da Lua se movimenta no espaço e gira em seu próprio eixo. Podemos classificar os movimentos da vida em nosso universo em dois principais, a expansão e a retração. Movimentos de expansão podem ser vistos como inspiração e movimentos de retração como expiração. Segundo a ciência o universo inteiro está hoje em expansão e em algum momento irá se retrair. Possivelmente temos ainda múltiplos universos que se expandem e retraem com seu própio espaço e tempo criando multiversos. De maneira bem parecida foi representado o ciclo da vida pela mitologia indiana, cada dia do Deus Brahma (deus da criação na trilogia hindu) era uma formação e destruição do universo. Quando Brahma acordava novamente, um novo universo se formava de maneira cíclica. Haveria também uma infinidade de Brahmas formando multiversos.

Podemos dizer que tudo respira. A nossa respiração do ponto de vista biológico também é feita desta maneira. Quando expandimos nossa cavidade toráxica, diminuímos a pressão interna e o ar entra nos pulmões empurrado pela maior pressão externa, a pressão atmosférica. Quando retraímos a cavidade o ar sai pela mesma diferença de pressão, agora maior no interior expelindo-o para o exterior.

Seguindo esta mesma ideia, podemos dizer que o dia representa também uma inspiração, onde pela força da energia do sol tudo tende a se expandir. A noite representa uma expiração, onde nos recolhemos sob a a luz suave da lua e das estrelas. Podemos ver este mesmo ciclo em nossas semanas, ciclos lunares, meses e anos, onde cada início pode ser visto com um ato de renovação, de revitalização do ar entrando, se expandindo. Cada fim é uma expiração, é o velho saindo e dando chance para a renovação, para um recomeço.

No fim de um ano é provável que possamos sentir uma certa falta de ar ao fim da expiração, já que os ciclos, pessoais, naturais e mesmo astronômicos não são respeitados. Temos um calendário solar que nos obriga a cada quatro anos a fazer ajustes e que não respeita os ciclos lunares tão importantes nas marés, nas colheitas e possivelmente em nosso comportamento. De qualquer maneira, somos seres sociais, que formam, vilas, bairros, cidades, comunidades, países, povos etc… e assim, entramos mesmo sem querer neste grande fluxo do ano que respira, com início e fim de acordo com a região, país, religião ou cultura em que vivemos. E tem mais, no Brasil, o fim da expiração fica em retenção (kumbhaka a retenção dos pránáyámas) até o fim do carnaval. Haja fôlego!

Mas como o Yoga ajuda nestes ciclos?

Sendo uma ferramenta para o conhecimento de si mesmo, ele pode nos ajudar a compreender (nem sempre racionalmente) nossos próprios ciclos, nos fazendo perceber e ampliar conscientemente nossa respiração e assim compreender também os ciclos que nos rodeiam. Desta forma, podemos nos harmonizar melhor com a vida ao nosso redor, entender profundamente nosso comportamento e as forças que nos levam a navegar por diferentes mares.

Como diria Paulinho da Viola, “não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”, mas se aceitarmos e compreendermos a natureza do mar, com suas correntes, profundezas e o céu que se mantém de guia, podemos navegar a nós mesmos e arriscar até contrariar aqui o mestre Fernando Pessoa que afirma – “Navegar é preciso, viver não”, referindo-se à navegação como algo preciso e o viver como impreciso – afirmando que, se o navegar tem seu grau de precisão, com sabedoria o viver também pode tê-lo.

Expire todo o ar em 2014 e viva 2015 com consciência, Namastê!

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Namaskara Moon News # 9

Filosofia, Posturas, Nutrição, Eventos e mais!

ARTIGO por Mario Reinert

Será que é possível ser feliz satisfazendo os sentidos?

Em nosso mundo atual felicidade e prazer são cada vez mais vendidos em um mesmo pacote. Mais e mais experiências que satisfaçam os sentidos são oferecidas para que se encontre momentos de felicidade, mas que são na verdade momentos de prazer. É interessante observar que estes momentos por mais que tenham sido batalhados, que tenham provocado muito suor para serem conquistados, acabam por durar apenas alguns instantes, iniciando na sequência a necessidade de um novo prazer em busca de felicidade.

Atualmente, importantes neurocientistas como Antônio Damaso, ao analisar vida de organismos mais elementares, como o paramécio, percebem que os últimos tem mecanismos bem simples, mas semelhantes aos nossos de prazer e dor, que os tornam capazes assim de seguir rumo à perpetuação de sua espécie. A busca destes organismos primitivos é por aquilo que gera equilíbrio, é o que a ciência chama de homeostase. Algo importante que a neurociência nos diz é que a função da dor ou do prazer, jamais é a dor ou o prazer em si. Sempre há um propósito para além, em última instância a homeostase. O cérebro humano por exemplo, seria mais um mecanismo, apenas bem mais complexo, de busca da homeostase, do equilíbrio. Podemos supor que o conceito de felicidade, portanto, jamais seria a busca do prazer ou evitar a dor, mas sim quando conseguimos trilhar um caminho de harmonia, de equilíbrio, talvez o caminho do meio preconizado por Buddha.

Estas afirmações se assemelham ao que o Yoga demonstra desde a antiguidade: que dor e prazer não são objetivos das experiências, por isso, não devemos buscar experiências pelas sensações e nem exclusivamente pelo resultado, sendo ele prazeroso ou não, pois o propósito final da experiência é o conhecimento de si mesmo. Ainda fala mais, que a felicidade em vida é encontrada no caminho da equanimidade, da harmonia que possibilita a realização de quem somos de fato, pura consciência, longe das distrações dos sentidos. O caminho do Yoga trata-se de um caminho de aumento da qualidade Sattva (princípio da harmonia, ou da luz dos 3 Gunas, os outros são Rajas, movimento e Tamas, inércia). No Yoga o princípio de Sattva (harmonia) é o mais sutil dos princípios e é por meio da predominância dele que se desenvolve a inteligência. Assim podemos dizer que a inteligência, Buddhi, está a serviço desta, ou mesmo que é uma consequência desta harmonia, do equilíbrio.

O problema é que nossa tendência, pelos nossos condicionamentos (Vasanas), é sempre repetir as experiências de prazer, criando apego e de evitar as experiências de dor, criando aversão. Mas se conseguimos retirar nosso foco de atenção do resultado em si e usufruir da experiência, sem expectativa de prazer ou dor, será possível evitar limitarmos nossa tragetória à apego e aversão. Isso possibilita compreender de fato a experiência, sem os ruídos que a expectativa e as sensações provocam. Ao buscar perceber a experiência em si e não reagir, conseguimos compreender o propósito da experiência criando discernimento e capacidade de escolha de nossos caminhos.

É por isso que o recolhimento dos sentidos (Pratyahara) torna-se tão importante. Ser comandado pelos sentidos é como se os cavalos da carruagem comandassem o caminho a ser tomado. Segundo Katha Upanishad, o “Ser” pode ser comparado a uma carruagem. Purusha, o espírito, é o passageiro; a carruagem é o corpo – Sharira; Buddhi, o intelecto, é o cocheiro; Manas, a mente, são as rédeas; Indrya, os sentidos são os cavalos; e a estrada e o mundo são seus objetos. Quem deve ter o comando é Buddhi, o intelecto, para o usufruto de Purusha, o passageiro (o espírito) e para isso os sentidos devem ser recolhidos, devem estar disciplinados pela mente (as rédeas) sempre sob o comando final do intelecto.

Mas como realizar tarefa tão dificil? Quando vemos estamos novamente indo atras de satisfazer os sentidos e entramos no mesmo ciclo sem conseguir realizar o que nos propomos.

Para tornar possível atingir este estado de sabedoria, o sábio Patanjali dividiu didaticamente em 8 membros (Astanga: astau = 8 anga = membro) o corpo do Yoga. Esta divisão se dá no segundo capítulo dos Yogasutras,

Ao dividir Patanjali começa pela base, pelas relações éticas com a sociedade, que ele chama de Yamas, são cinco restrições, como não violência e verdade. Em seguida coloca cinco Nyamas, observâncias, estados internos como pureza e contentamento. O terceiro são ásanas, no sentido de assentar o corpo para a meditação. O quarto é Pránáyáma, que é a extensão e controle da energia vital. O quinto é Pratyahara, o recolhimento dos sentidos e os três últimos são Dharana, concentração, Dhyana, meditação e Samadhi, ou contemplação.

Importante ressaltar que “anga” (de Ashtanga) significa membro e não passo. Por isso, por mais que você deva desenvolver um membro antes de chegar ao outro, eles são também simultâneos e interligados. Você pode imaginar um corpo com 8 membros onde cada um será utilizado para o que o todo funcione, mas mesmo que um não esteja em seu funcionamento perfeito os outros podem ajudar neste desenvolvimento. A perfeição ideal de um dos Angas para então começar os outros, pode mais atrapalhar do que ajudar. O controle da respiração por exemplo, irá acalmar a mente para que você possa ser não violento, Ahimsá, o primeiro Yama.

Esta interdependência e harmonia entre os membros é fundamental, pois se eventualmente um dos membros não pode ser ativado, os outros podem compensar. Imagine um ser com 8 patas, cada uma tendo uma função na locomoção, se uma perna não funciona, há outras 7 para manter o caminho. Por exemplo, se você não pode fazer posturas, nem mesmo sentar-se, pois está com algum problema físico, ainda assim pode concentrar a mente, ou trabalhar com sua respiração.

No Hatha yoga, por exemplo, existe outra ordem, coloca-se o ásana no início, pois fortalecer o corpo e ter saúde podem ser pré requisitos fundamentais para afirmar Yamas e Nyamas. Também é muito difícil que alguém doente consiga dedicar-se à técnicas de respiração e meditação. Independente do sistema escolhido, Hatha Yoga, Raja Yoga (Patanjali), Bhakti Yoga (Yoga da devoção) ou outro, todos concordam que o a escravização da mente pelos sentidos impede que o estado de paz e harmonia estabeleça-se na mente.

Por isso, se você busca a felicidade, comece pela base, por não ser violento (primeiro Yama= Ahimsa) especialmente consigo mesmo, por exemplo em sua prática de Posturas (Ásanas). Procure purificar o corpo, a mente e aceitar suas limitações, traga o estado de contentamento para tudo o que faz (Nyamas, Saucha = Purificação e Santosha = contentamento). Observe a respiração, não a force, compreenda-a, dance com ela e assim harmonize-se com os ritmos da vida (Pránáyáma). Com isso você está construindo a base, Yama, Nyama, Ásana e Pranayama. Eles tornam a mente estável e ligada à inteligência, assim os sentidos voltam-se para dentro (Pratyahara), iniciando o verdadeiro autoconhecimento, o da visão interna que equilibra e possibilita a concentração da mente (Dharana). Surge assim o estado meditativo (Dhyana) que ao ser cultivado, tem como consequência, Samadhi, um estado de felicidade e plenitude, não mais baseada na busca do prazer, mas resultado do conhecimento de si mesmo. O conhecimento de que de fato já somos esta pura consciência que buscamos. Isto não pode ser ensinado apenas por palavras, tem que ser vivido, isto é Yoga!

Pratique, e seja ético!

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Yoguilitos – Histórias do Yoga e da Vida

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Agenda de Eventos:

APROFUNDAMENTO EM YOGA E TREINAMENTO DE PROFESSORES 2015

Abertas as inscrições para o Aprofundamento em 2015. É um curso diferente e multidisciplinar, que aborda o Yoga de maneira prática e teórica, além de Nutrição Vegetariana com o Nutrólogo Eric Slywitch, Ayurveda com o Dr. Luiz Guilherme Corrêa Neto, Antomia e Biomecânica com Fernanda Zornoff entre outras disciplinas.

A parte de ásanas é baseada no sistema Vinyasa de Sri Krishnamacharya e Sri K Pattabhi Jois.

Início em Março de 2015.

Em breve valores e condições de matrícula.

Saiba mais no site>>

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INTENSIVO DE VERÃO – PARATY de 14 a 18 de janeiro de 2015

Iyengar ou Ashtanga Yoga, Meditações, Filosofia e muito mais.

Nossa proposta é iniciar o ano praticando yoga em comunhão com a natureza, revitalizando nosso ser e recarregando as baterias para o ano de 2015. Mais do que a prática de ásanas, o intuito é uma imersão de Yoga através do estudo, meditações e o convívio com pessoas que buscam no yoga uma ferramenta para a vida!

>> Saiba mais
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YOGA E DOAÇÃO – SÁBADO 29/11/2014

Lembrando que um sábado por mês abrimos o estúdio para aulas por doação. Os valores arrecadados são integralmente repassados para o Gotas de Flor com Amor( http://www.gotasdeflor.org.br ), uma instituição que cuida de mais de 200 crianças carentes na zona sul de São Paulo, o Gotas tem um trabalho sério e está sempre precisando de voluntários para ajudar.

Vemos a cada dia, mais e mais violência em nossa cidade. Ficamos muitas vezes sem saber o que fazer, reféns de uma segurança pública ineficiente e corrupta. Exigir nossos direitos de segurança torna-se uma obrigação, mas se olharmos mais a fundo a questão, a desigualdade social é uma das responsáveis por este problema. Ajudar crianças em desenvolvimento é uma maneira de fazer algo para que nosso bairro, nossa cidade e nosso país tornem-se mais justos e seguros, sem incentivar violência. Ajude uma instituição perto de você, doe seu tempo, coloque seu esforço para um mundo com mais amor!

Programa:

9:00 – 10:00 – Filosofia: Karma Yoga o Yoga da ação – Qualquer simples ação pode transformar-se em parte de sua prática de Yoga e de vida.

10:00 – 10:30 – “Meditação Mindfulness” – Atenção plena, uma das mais eficientes técnicas para combater ansiedade e depressão.

10:30 – 12:15 – Prática de Iyengar ou Ashtanga Yoga guiada.

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NUTRIÇÃO E VEGETARIANISMO com o Dr. Eric Slywitch

Nutrientes – Zinco

O zinco é um mineral bastante importante e deve ser visto com carinho pelos vegetarianos. Ele foi reconhecido como mineral desde 1509, mas as sua necessidade de ingestão para os organismos animais só foi reconhecida em 1934.

Devido à sua ampla distribuição nos alimentos, a deficiência em humanos era considerada improvável. No entanto, na Segunda Guerra Mundial, a associação de doenças com a falta de zinco começou a ser comprovada. Após esse período, diversas disfunções decorrentes da falta de zinco foram descobertas.

Deficiência de zinco

As principais manifestações clínicas da deficiência de zinco são:

- retardo de crescimento (em crianças);

- desenvolvimento sexual retardado e impotência;

- queda de cabelo;

- lesões de pele, especialmente periorificiais;

- alterações na língua e na constituição das unhas (atenção: pontos brancos nas unhas podem não ter relação alguma com o zinco);

- deficiência imunológica;

- cegueira noturna (que também pode ser decorrente de falta de vitamina A);

- paladar prejudicado;

- dificuldade de cicatrização;

- redução de apetite e menor ingestão alimentar;

- intolerância à luz (fotofobia) e dificuldade de adaptação à escuridão;

- redução do desenvolvimento cerebral do feto.

Há diversos hormônios que podem ser afetados quando há carência de zinco: hormônio do crescimento, hormônios sexuais, tireoideanos, insulina e corticosteróides.

Quem está em risco de ter deficiência?

As pessoas que estão em risco são as que apresentam baixa ingestão alimentar de zinco, absorção intestinal reduzida desse mineral, perdas elevadas ou ainda aumento da necessidade por alguma situação especial (crescimento, gestação, queimaduras extensas e algumas doenças).

A dieta vegetariana é considerada uma dieta de risco para deficiência de zinco?

Para alguns autores sim.

O motivo para isso é a presença de um ácido chamado ácido fítico, bastante concentrado em sementes, que pode dificultar a absorção de zinco. Conversaremos sobre ele daqui a pouco. Além disso, a carne é uma boa fonte de zinco.

O fato é que os estudos não mostram maior prevalência de deficiência clínica de zinco em populações vegetarianas quando comparadas com as onívoras. No entanto, como a deficiência leve de zinco não tem diagnóstico fácil, é prudente manter um cuidado na escolha dos alimentos mais ricos em zinco e reduzir o teor do ácido fítico dos alimentos.

A distribuição do zinco no organismo humano

O teor total de zinco no organismo humano é estimado entre 1,5 gramas para mulheres e 2,5 gramas para homens.

O zinco faz parte da função de mais de 300 enzimas e está presente em todos os órgãos, tecidos, líquidos e secreções do corpo.

Mais de 95% do zinco está dentro das células.

Cerca de 57% do zinco é encontrado nos músculos esqueléticos, 29% nos ossos, 6% na pele, 5% no fígado, 1,5% no cérebro e o restante nos rins, coração, cabelos, e no sangue.

Avaliação do estado de zinco no organismo

Para o diagnóstico de deficiência de zinco é necessário uma avaliação médica correta para descartar fatores que possam mascarar a deficiência, assim como correlacionar os sintomas clínicos sugestivos de deficiência que a pessoa apresenta.

A deficiência de zinco, em estado avançado, pode ser facilmente diagnosticada. No entanto, quando a carência é leve, que chamamos de deficiência marginal ou subclínica, nem sempre é fácil de se fazer um diagnóstico exato.

Essa avaliação pode ser complexa.

Apenas 0,1 a 2% do total de zinco do corpo está presente no sangue. Além disso, o organismo faz tudo o que pode para que esses níveis sanguíneos não se alterem. Isso significa que os níveis sanguíneos de zinco só estarão diminuídos quando a deficiência for tão intensa que o organismo não consegue mais mantê-los normais, ou quando o zinco, por motivos diversos, é transferido do sangue para os tecidos.

Assim, pessoas com exames de sangue normais com relação ao nível de zinco podem estar com deficiência de zinco.

O médico, ao dosar o zinco, deve estar atento a fatores que podem mascarar a avaliação correta desse mineral, pois ele pode sofrer alterações quando a pessoa tem infecções, estresse metabólico, alterações hormonais, jejum prolongado, dentre outras possibilidades.

Outros marcadores (análise do zinco no cabelo, na urina, nas céluas vermelhas e nas brancas) da deficiência de zinco foram sugeridos, mas todos eles apresentam limitações.

Estou com deficiência de zinco. O que devo fazer?

Havendo o diagnóstico de deficiência de zinco, sua correção deve ser instituída. O mais adequado é utilizar a suplementação até a correção da deficiência, pois essa via é mais garantida do que a alimentação por si só. Algumas vezes as doses preconizadas são bastante elevadas, devendo ser prescritas por um médico.

Durante a reposição, você deve aprender a otimizar a absorção de zinco dos alimentos, assim como escolher os alimentos mais ricos.

Após a reposição por suplementos, verificamos se a pessoa consegue manter o zinco adequado apenas com a alimentação.

O zinco e os alimentos

Na página 44 e 45 do meu livro (Alimentação sem carne – guia prático) você encontra uma tabela nutricional com o teor de zinco de mais de 250 alimentos.

Os alimentos mais ricos em zinco são as carnes vermelhas magras, os cereais integrais e os feijões. Esses alimentos fornecem 25 a 50 mg de zinco por quilograma do produto cru.

Teor moderado de zinco (10 a 25 mg/kg) é encontrado no arroz polido, frango, porco e carnes com alto teor de gordura.

Peixes, vegetais amiláceos (batatas), folhas verdes e frutas contêm menos do que 10 mg de zinco por quilograma.

Gorduras saturadas, óleos, açúcares e álcool contêm muito pouco, ou nada, de zinco.

Assim, para os vegetarianos, os cereais integrais, feijões e oleaginosas são as fontes mais ricas.

Absorção de zinco na dieta vegetariana

Estudos sugerem que quando a dieta vegetariana é rica em alimentos de alto teor de ácido fítico, pode ser necessário ingerir mais 50% de zinco para compensar a menor absorção. Esse aumento sugerido é para dietas com baixa biodisponibilidade de zinco, sendo recomendada a ingestão de 16,5 mg de zinco para homens e 12 mg para mulheres. As dietas vegetarianas, no entanto, são consideradas de moderada biodisponibilidade. Dessa forma, o planejamento de dieta com esses valores sugeridos atende às dietas vegetarianas com uma boa margem de segurança.

De forma geral, a dieta vegetariana apresenta uma absorção de zinco 35% menor do que a apresentada pelos onívoros.

O uso de cereais integrais, sementes e oleaginosas resulta numa biodisponibilidade de zinco considerada moderada.

Otimizando a absorção do zinco

De todos os fatores, você vai ver que o ácido fítico é o que mais atrapalha a absorção do zinco.

A absorção de zinco também depende da quantidade de zinco ingerida. Quando a dieta é mais pobre em zinco a absorção é maior, e vice-versa.

Ácido fítico – o ácido fítico reduz a absorção de zinco do alimento. Ele é um dos principais compostos que atrapalham a sua absorção. O ponto positivo é que podemos reduzi-lo nos alimentos. Os cereais integrais e feijões devem ser deixados de molho na água por 8 a 12 horas antes do cozimento. Despreze a água antes de cozinhar os grãos. Esse tempo é o suficiente para reduzir esse ácido do alimento deixando o zinco disponível para uma melhor absorção.

Qualidade da proteína da dieta – o teor protéico da dieta influencia na quantidade de zinco absorvida. A maior ingestão de proteína ocasiona mais zinco ingerido, já que os alimentos protéicos costumam ser boas fontes de zinco. As proteínas de origem animal (carne, ovos e queijos) apresentam efeitos antagônicos ao ácido fítico. A caseína do leite, ao contrário, ocasiona diminuição da absorção de zinco. A proteína da soja não afeta a absorção do zinco, mas o ácido fítico que ela contém, sim.

Fibra – por si só, não atrapalha consideravelmente a absorção de zinco. No entanto, os alimentos mais ricos em fibras podem conter bastante ácido fítico.

Cálcio – o seu uso, mesmo em altas doses não influencia a absorção de zinco. O efeito negativo do cálcio se faz devido à sua interação com o ácido fítico, potencializando o efeito inibidor dele sobre o zinco.

Ferro – a interação do ferro com o zinco na dieta não é significativo para atrapalhar o estado nutricional de zinco. No entanto, atenção deve ser tomada ao se utilizar suplementação de ferro.

Ácidos orgânicos – podem auxiliar na absorção do zinco ingerido. Esses ácidos (cítrico, lático, butírico, fórmico…) podem ocorrer naturalmente nos alimentos ou serem gerados por processo de fermentação.

Gestantes: atenção!!

Baixos níveis de zinco no organismo da gestante podem resultar em redução no desenvolvimento cerebral do feto.

A suplementação de ferro ganha espaço na gestação, e especialmente no último trimestre, que é quando o feto “puxa” bastante ferro da mãe. Essa suplementação é bastante adequada e bem vinda, mas deve haver suplementação de zinco sempre que os suplementos de ferro contiverem mais do que 60 mg de ferro elementar (o que frequentemente ocorre).

O ácido fólico, prescrito para muitas mulheres que querem engravidar, ou no início da gestação, talvez altere o zinco, especialmente quando já há deficiência desse mineral. Ainda faltam estudos para elucidar isso completamente, mas não devemos descuidar do zinco. Só a alimentação nem sempre é suficiente.

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Namaskara Moon News # 8

Filosofia, Posturas, Nutrição, Eventos e mais!

ARTIGO por Mario Reinert

Sobre a Brevidade da Vida

Será nossa vida breve demais, ou há tempo suficiente para usufruí-la?

Segundo Sêneca, filósofo Romano seguidor do Estoicismo e autor do livro homônimo ao título deste artigo, nossa vida torna-se breve não porque a recebemos breve .” Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade sentimos que ela já passou por nós sem que a tivéssemos percebido. O fato é o seguinte: Não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores.”

Isso nos faz pensar quanto tempo passamos atrás de dinheiro, prazer, vícios ou desejos e deixamos de caminhar no sentido de mais consciência e liberdade? Independente de acreditar ou não em reencarnação, se temos ou não mais de uma vida, o que realmente nos importa é o momento presente, a vida que vivemos, pois este é o ponto de partida e é deste ponto que podemos iniciar ou continuar o caminho de autoconhecimento.

O Yoga tem muito a nos ensinar sobre esta relação com o Kala, o Tempo. O propósito primordial do Yoga, segundo Patanjali (autor do Yoga Sutras – principal texto do Yoga Clássico) é atingir o estado de Kaivalya, que é estar liberto do “Ciclo de Samsara”, o ciclo de reencarnação e morte, o eterno retorno em que nos encontrarmos. Este estado de liberdade só é atingido caso possamos perceber nossa real natureza, que é Purusha, pura consciência, livre de qualquer limitação. Segundo Patanjali, este também é o propósito final da experiência de vida.

Em nosso estado habitual, estamos todos presos ao espaço e tempo no mundo manifesto e material derivado do princípio da manifestação, chamado Prakrti. Mas essa noção de tempo, de duração, não faz sentido por exemplo, quando entramos em Samadhi, estado de êxtase contemplativo, que é a porta de entrada para Kaivalya (liberação). Nesse estado, rompe-se a noção de duração do tempo e espaço. Em Samadhi a ideia de uma vida breve ou longa não faz sentido pois o que existe é plena existência, puro Ser(Purusha). Poderíamos falar por horas sobre o que é este estado e não seria possível descrevê-lo. Mas basta uma faísca desta experiência e tudo o que foi verbalizado fica claro. Por isso o Yoga é um caminho de experiência, em que mesmo a teoria deve ser absorvida de uma maneira prática.

O Yoga de Patanjali é uma bela ferramenta para entender os mecanismos de funcionamento da mente mas há o risco de levarmos este ideal do Yoga Clássico a ferro e fogo e assim cair em uma busca extrema de ascetismo, de negação do mundo, pois se o que realmente importa é Purusha, a pura consciência, afastar-se da vida manifesta, Prakrti pode parecer a melhor solução.

Nesse sentido o Hatha Yoga trouxe o equilíbrio, pois sua essência é a afirmação plena da vida, a não negação do mundo material, a continuidade entre espírito e matéria. Assim o corpo, antes visto como um obstáculo no caminho da realização, torna-se o veículo ideal para percorrer este caminho. Os métodos atuais como Iyengar e Ashtanga Vinyasa Yoga são variantes do Hatha Yoga.

A divisão dual de Purusha (consciência) e Prakrti (matéria) de Patanjali, torna-se a unidade entre Shiva (consciência) e Shakti (força criadora manifesta) que apesar de aparentemente separados, formam juntos, e complementando-se, a totalidade da existência. Uma realidade que é imanente e transcendente ao mesmo tempo.

O Hatha Yoga vai trazer o Ásana (postura) com uma nova abordagem, como postura psicofísica. Vale lembrar que a maior parte do que conhecemos como Yoga no ocidente são derivados do Hatha Yoga. No Yoga clássico as posturas, ásanas, se referiam somente ao “assentar” do corpo para a meditação. Não há referências nos Yoga Sutras, ou outros textos do período pré medieval sobre posturas complexas que não tivessem a função de assentar o corpo para a meditação. É com o advento do Tantra e do Hatha Yoga que os ásanas vão receber seu significado atual.

Para o Hatha Yoga, que é parte do que chamamos de Tantrismo, tudo que existe no mundo não é ilusão nem deve ser negado, como pode ser interpretado no monismo idealista das Upanishads, mas pelo contrário, são efetivamente ferramentas para esse caminho. Talvez por esta aceitação do mundo e seus prazeres, o Tantra é muitas vezes mal interpretado, vendo-se apenas o aspecto sexual, mas isso é deturpá-lo em sua essência, pois o Tantra utiliza-se de todos os aspectos da vida para afirmá-la e transcendê-la. Tudo o que existe, desde que ritualizado e contemplado o seu aspecto sagrado, pode ser um caminho de realização.

Para se ter uma ideia da mudança do Hatha em relação à Patanjali, Savtmarama, o autor do Hatha Yoga Pradipika, um dos principais textos do Hatha Yoga, irá trazer o ásana que no Yoga Clássico é o terceiro dos oito membros (1- Restrições, 2-Observâncias, 3-Posturas, 4-Extensão e Controle da Respiração, 5-Recolhimento dos Sentidos, 6-Concentração, 7-Meditação e 8-Contemplação) para  o primeiro lugar, pois um ser sem um corpo saudável e sem potência para afirmar sua verdade, não pode cumprir nem as restrições e observâncias preconizadas por por Patanjali. Para Svātmārāma, a divisão passa a ser quádrupla – Ásana, Pránáyáma, Mudrá e Samadhi. Com isso o trabalho corpóreo torna-se primordial para o caminho de liberação do Yoga. Mas Svatmarama não coloca o método que descreve como uma alternativa ao Yoga Clássico (Raja Yoga), mas sim como algo complementar que tem como propósito atingir o estado de liberdade como Kaivalya (liberação) nos Sutras de Patanjali.

Além desta mudança de perspectiva perante a vida, sacralizando o dia dia, o Hatha Yoga também coloca-se como uma ciência da longevidade, pois a saúde deste corpo, deste veículo, passa a ser fundamental. A proposta é viver mais tempo por meio de práticas de purificação, de força, flexibilidade, restrição alimentar etc. Podemos encarar isso como uma vantagem, pois vivendo mais, há mais chances de realizar e despertar esta consciência. Mas se por um lado viver mais pode nos dar mais tempo para despertar, pode também gerar mais consequências indesejáveis, mais Karmas negativos e nos desviar ainda mais do caminho. Daí voltamos para nossa questão, o quão importante é como utilizamos nosso tempo.

Pare por um momento agora, observe sua respiração, entre em contato com o momento presente e pergunte-se quanto tempo do seu dia, sua semana, seu mês, seu ano, você utiliza para se conhecer melhor? Lembre-se que sem conhecer a si mesmo, nada do que se faz leva a uma realização mais profunda. Poder, luxo, dinheiro, beleza sem consciência só irá aquietar a mente por alguns instantes, até o novo gatilho de desejos ser disparado. Fazer sua vida longa suficiente não é portanto, viver por mais tempo, mas é sim viver com plenitude, presente em suas atitudes, com ética e sabedoria e dedicando-se ao que realmente importa (isso só você mesmo pode responder o que é).

Pratique com consciência, Namastê!

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Yoguilitos – Histórias do Yoga e da Vida

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Agenda de Eventos:

INTENSIVO DE VERÃO – PARATY de 14 a 18 de janeiro de 2015

Iyengar ou Ashtanga Yoga, Meditações, Filosofia e muito mais.

Nossa proposta é iniciar o ano praticando yoga em comunhão com a natureza, revitalizando nosso ser e recarregando as baterias para o ano de 2015. Mais do que a prática de ásanas, o intuito é uma imersão de Yoga através do estudo, meditações e o convívio com pessoas que buscam no yoga uma ferramenta para a vida!

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YOGA E DOAÇÃO –

Lembrando que um sábado por mês abrimos o estúdio para aulas por doação. Os valores arrecadados são integralmente repassados para o Gotas de Flor com Amor( http://www.gotasdeflor.org.br ), uma instituição que cuida de mais de 200 crianças carentes na zona sul de São Paulo, o Gotas tem um trabalho sério e está sempre precisando de voluntários para ajudar.

Vemos a cada dia, mais e mais violência em nossa cidade. Ficamos muitas vezes sem saber o que fazer, reféns de uma segurança pública ineficiente e corrupta. Exigir nossos direitos de segurança torna-se uma obrigação, mas se olharmos mais a fundo a questão, a desigualdade social é uma das responsáveis por este problema. Ajudar crianças em desenvolvimento é uma maneira de fazer algo para que nosso bairro, nossa cidade e nosso país tornem-se mais justos e seguros, sem incentivar violência. Ajude uma instituição perto de você, doe seu tempo, coloque seu esforço para um mundo com mais amor!

Programa:

9:00 – 10:00 – FIlosofia

10:00 – 10:30 – “Meditação Mindfulness” – Atenção plena, uma das mais eficientes técnicas para combater ansiedade e depressão.

10:30 – 12:15 – Prática de Iyengar ou Ashtanga Yoga guiada.

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APROFUNDAMENTO EM YOGA E TREINAMENTO DE PROFESSORES 2015

Em outubro abriremos as inscrições para entrada em 2015. É um curso diferente e multidisciplinar, que aborda o Yoga de maneira prática e teórica, além de Nutrição Vegetariana com o Nutrólogo Eric Slywitch, Ayurveda com o Dr. Luiz Guilherme Corrêa Neto, Antomia e Biomecânica com Fernanda Zornoff entre outras disciplinas.

A parte de ásanas é baseada no sistema Vinyasa de Sri Krishnamacharya e Sri K Pattabhi Jois.

Início em Março de 2015.

Em breve valores e condições de matrícula.

Saiba mais no site>>

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NUTRIÇÃO E VEGETARIANISMO com o Dr. Eric Slywitch

Nutrientes – Selênio

Nutrientes ingeridos em quantidade adequada são importantes para a manutenção do funcionamento correto do nosso organismo. O excesso de muitos deles podem ser prejudiciais á saúde.

Dificilmente a ingestão proveniente de alimentos pode ser tóxica ou trazer efeitos indesejáveis, mas quando o nutriente vem por meio de suplementação inadequada (níveis elevado por período prolongado) os efeitos deletérios podem ser vistos no organismo.

Um dos únicos nutrientes capazes de causar intoxicação quando ingerido em excesso, por meio dos alimentos, é o selênio. Vamos conversar sobre ele.

Quanto precisamos ingerir por dia?

A quantidade de selênio preconizada para um adulto ingerir diariamente é de 55 mcg. Gestantes necessitam 60 mcg e mulheres amamentando, 70 mcg.

Onde encontramos o selênio?

Diversos alimentos contêm selênio, mas o que determina o teor nos alimentos é a quantidade presente no solo. Isso pode ser um problema, pois como as plantas não necessitam de selênio para o seu crescimento, na agricultura moderna a adubação não é feita com esse mineral incorporado aos compostos utilizados na terra. O uso de alimentos industrializados também podem contribuir para a falta de ingestão de selênio, já que o refinamento de alimentos, assim como a escolha por uma alimentação rápida e processada trará uma ingestão de alimentos mais pobres no mineral.

No nosso país, a região norte, o litoral e o sul do país são as áreas que possuem o solo mais rico em selênio.

A Castanha do Pará, ou Castanha do Brasil, é um alimento riquíssimo em selênio, sendo nutricionalmente a nossa referência quando pensamos no nutriente e no alimento que o contém em maior quantidade.

Algumas tabelas com valores nutricionais divergem entre si com relação ao teor de selênio das Castanhas do Pará. A Tabela emitida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos aponta para os seguintes valores em 100 gramas do produto: 656 calorias com 1917 mcg de selênio. Sendo essa tabela uma das que traz um dos valores mais elevados de selênio por 100 gramas do produto, entendemos que uma única Castanha (pesando cerca de 5 gramas) contém 87 mcg de Selênio. Algumas tabelas trazem o valor de 55 mcg de Selênio por Castanha do Pará.

Efeitos tóxicos

De forma geral, os efeitos tóxicos são encontrados quando o consumo de selênio excede 850 mcg por dia.

Esse valor pode ser atingido ao ingerirmos diariamente 10 Castanhas do Pará.

Quando há toxicidade, os principais sinais e sintomas são: hálito com odor de alho, cansaço, dores e fraqueza muscular, irritação, unhas e cabelos frágeis. Alterações no sistema gastrointestinal e sistema nervoso também podem ocorrer.

Atenção: unhas e cabelos frágeis também podem ser decorrentes da carência de outros nutrientes.

A função do selênio

Uma das principais funções do selênio é na proteção contra os radicais livres.

Ele tem o que chamamos de atividade antioxidante. O selênio atua como um cofator para a enzima glutationa peroxidase.

As funções das células de defesa (linfócitos e natural killer) são influenciadas pelos seu nível sanguíneo. Na formação da forma ativa do hormônio da tireóide, o selênio apresenta uma atuação importante.

A recomendação prática é: não consuma mais do que 10 Castanhas do Pará por dia.

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Namaskara Moon News # 7

Filosofia, Posturas, Nutrição, Eventos e mais!

ARTIGO por Mario Reinert

Porque será que são tão poucos os homens a praticar Yoga?

É muito comum entrar em uma aula de Yoga e ver a sala repleta de mulheres e apenas um ou dois homens. Mas é no mínimo estranho imaginar que no passado, o Yoga era praticado apenas por homens. Algumas exceções, poucas Yoguinis foram iniciadas nas práticas mais antigas da Índia. Hoje muita coisa mudou e quando comentamos entre os homens sobre praticar yoga, a mais comum das respostas para não praticar é “sou muito duro, pouco alongado pra isso”.

Talvez isso ocorra pelo fato de os homens se sentirem intimidados pelas mulheres, que sendo mais flexíveis conseguem fazer mais posturas. Assim os homens deixam de frequentar aulas que poderiam ensinar muito sobre ganhar consciência de si mesmo e também aprender a se relacionar melhor com seu oposto complementar. As mulheres por sua vez saem na frente, aproveitam, dedicam-se cada vez mais a se conhecer e usufruem melhor do poder desta ciência milenar.

Mas se paramos pra refletir a respeito, falar que sou muito duro pra praticar Yoga é quase como falar que “estou sujo demais pra tomar banho”. No fundo quem mais precisa se alongar é normalmente quem menos consegue fazê-lo naturalmente. Já quem é muito flexível precisa achar seu equilíbrio compensando com posturas de força e não forçar seu limite articular para ir cada vez mais.

Na verdade a busca do Yoga nunca foi por ser simplesmente flexível, mas sim encontrar o equilíbrio. Nos Sutras, por exemplo, há somente 3 sutras falando sobre posturas dos 195/196 que compõem o texto. O primeiro deles é YS II.46 sthirasukhamāsanam, o āsana deve ser firme e confortável, em outras palavras, para se atingir a perfeição na postura é preciso força, firmeza e flexibilidade (espaço, conforto). A busca não é pela força nem pela flexibilidade em si, mas pela harmonia, o aumento do princípio de sattva (um dos 3 guṇas, qualidades da matéria) que nos dá clareza para percebermos a nós mesmos. Uma das traduções possíveis para o haṭhayoga é ha= sol (princípio masculino) e ṭha= lua(princípio feminino). A prática de Yoga busca desta maneira levar ao equilíbrio entre estas duas forças e não na predominância de uma delas. Isso pode e deve ser aplicado em nosso dia a dia.

Hoje vivemos um tempo sem igual, nunca os papéis sociais definidos de outrora estiveram tão diferentes, mulheres que trabalham e ganham mais do que os seus companheiros, homens que ficam em casa cuidando das crianças, são coisas cada vez mais comuns. Precisamos ver isso tudo sem julgamento de certo ou errado, o fato é que tudo o que está sujeito à ação do espaço e tempo, aquilo a que chamamos no Yoga de prakṛti (o princípio que manifesta o universo material), vai se transformar e não nos resta outra coisa a não ser observar, conscientizar e por fim nos adaptarmos.

Muitas conquistas importantes foram feitas nos últimos 50 anos, especialmente em relação aos direitos femininos, isso tudo não pode ser desconsiderado e deve ser preservado e valorizado. Mas toda transição traz suas dificuldades, enquanto os homens não tem mais clareza sobre seu papel e não ocupam o seu espaço, as mulheres não conseguem perceber o momento de serem femininas e relaxarem para que seus homens as protejam e exerçam o poder (no sentido de potência) que lhes foi dado para isso. As vezes um simples gesto, uma abraço que transmita segurança para a mulher quando ela diz que está com frio (mas não quer o seu casaco), um olhar compreensivo para com seu homem que o faça sentir como seu protetor podem criar um estado de harmonia restabelecendo conexões perdidas.

Cavalheirismo e feminilidade sempre serão importantes para o convívio entre os complementares. Lembrando que estamos falando aqui especialmente dos princípios masculinos e femininos e não somente dos entes biológicos homens e mulheres.

Ter consciência de si mesmo e assim estar pleno pra exercer a sua masculinidade, sem preconceito, sem machismos é provavelmente o maior benefício que os homens podem alcançar praticando. Alongar e fortalecer o corpo são gotas no oceano do Yoga.

Toda essa reflexão sobre o papel de homens e mulheres no Yoga me fez lembrar uma passagem que ficou em minha memória. Foi enquanto eu fazia o curso de formação de professores em Iyengar Yoga com o professor Kálidas em São Paulo, em 2002.

Algumas pessoas o questionavam se o Iyengar Yoga era uma prática de Yoga tradicional. Ao início da aula o Kálidas falou: “Hoje nós vamos praticar Yoga tradicional. As mulheres por favor se retirem da sala, pois tradicionalmente mulheres não praticam Yoga”. Me recordo dos olhares espantados dos 80% de mulheres ainda sem ter certeza se teriam ou não que deixar a sala.₢

Tradições e métodos mudam e se adaptam ao tempo, assim como nossas relações sociais. Somente a clareza da consciência pode nos trazer luz sobre os caminhos.

Seja ético e pratique com consciência. Namastê

Agenda de Eventos:

Nosso Intensivo de Inverno acontece este ano em Itamonte – MG, na pousada Estância Rio Acima de 17 a 20/07/2014

Venha participar de mais um encontro auspicioso, num lugar encantador, com cachoeira em frente à sauna, comida vegetariana equilibrada, práticas de Yoga e mais…

Neste ano nosso tema será a respiração. Desde a antiguidade a respiração já era entendida como uma forma de entrar em contato com nossa natureza mais profunda, da religião à ciência, não se pode questionar o poder desta que é capaz de ligar consciente e inconsciente e sem a qual, não conseguimos viver por mais do que alguns minutos.

Há opções de 2 ou 3 diárias, com chegada dia 17 ou dia 18/07, confira!

Saiba mais no site>>

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Dica de Restaurante Vegetariano:

MAHA MANTRA – Com reforma do ambiente e abrindo à noite.

São Paulo tem ótimos restaurantes vegetarianos e vamos indicar alguns durante as edições da Moon News. O Restaurante Maha Mantra, em Pinheiros, inaugura as dicas com novidades. Desde o fim de 2013 estão abrindo as sextas e sábados a noite com um cardápio a la carte especial.

Com ambiente repaginado, fazendo uso tradicionalmente de ingredientes orgânicos, integrais, funcionais e sempre frescos, oferece boas escolhas como os Wraps servidos no pão folha, acompanhado de nachos de milho e mix de folhas orgânicas. São 3 opções: Indiano – tiras de tofu orgânico ao molho curry e chutney ; Mexicano – chilli de soja e feijão e Guacamole ou Árabe – falafel, molho tahine e homus.

Outra opção é o Talhi da noite, prato do dia especialmente preparador pelo chef. Acompanha salada ou sopa de entrada .

Os Combinados servem até 3 pessoas. Composto de pastas especiais (Homus, Chutney, Chilli e Guacamole) para serem degustadas com Tapioca, Poori (pão indiano) e Nachos de milho. Acompanha mix de folhas.

Para quem está em restrição de gluten, a massa de milho com molhos pesto ou de tomates frescos pode ser uma boa surpresa ao paladar.

O Maha Mantra funciona para almoço de segunda a sexta das 11h30 às 15 horas.
Sábado, domingo e feriados das 12 às 16 horas.
O funcionamento para o jantar é sexta e sábado, das 19 as 23:30.

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 766 – Fone: (3032-2560)

https://www.facebook.com/maha.restaurante

http://www.mahamantra.com.br/

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NUTRIÇÃO E VEGETARIANISMO com o Dr. Eric Slywitch

Nutrientes -Betacaroteno

Algumas pessoas, especialmente vegetarianos, às vezes reclamam que a pele está mais amarelada, muitas vezes até na palma das mãos.

O que ocorre?

A pele pode ficar amarelada devido a algumas situações.

Deve haver preocupação quando isso ocorre devido a alguma alteração no fígado. Nesse caso, as bilirrubinas (composto existente no sangue), que devem ser eliminadas pela vesícula biliar no intestino, passando antes pelo fígado, têm dificuldade para serem eliminadas. As bilirrubinas então se depositam na pele, deixando-a amarelada.

Em casos mais avançados, a pele fica amarelo ouro (como um canário mesmo!) e a coceira pode ser intensa. Isso é chamado icterícia.

Mas não se assuste. O que costuma acontecer não é isso. O mais comum é que a pele fique impregnada por um nutriente chamado beta-caroteno.

Para alguns autores, os níveis sanguíneos de betacaroteno podem ser considerados os melhores indicadores do consumo de frutas e hortaliças. Quem come mais alimentos vegetais, tem níveis sanguíneos mais elevados.

Como faço para saber se estou amarelo por causa de icterícia ou por ingestão elevada de betacaroteno?

Esse diagnóstico é muito simples.

O beta-caroteno não deixa o branco dos olhos amarelo.

As bilirrubinas deixam o branco dos olhos impregnados, portanto amarelos.

Há exames de sangue que podem ser feitos, como a dosagem de bilirrubinas e de betacaroteno, que não deixam dúvidas sobre o responsável pela coloração amarelada da pele. Geralmente essa dosagem não é necessária para fazer essa distinção.

Por que a pele fica amarelada?

Isso ocorre pois o beta-caroteno é uma vitamina solúvel em gordura (lipossolúvel). Assim, ela se deposita nas gorduras. Como sob a nossa pele há gordura, pode ficar visível a sua coloração quando em quantidade elevada.

Nas palmas das mãos, isso pode ficar bem evidente.

Vamos conhecer melhor esse composto.

A primeira vitamina descoberta foi a Vitamina A. Não é coincidência que o seu nome é vitamina A, que é a primeira letra do alfabeto.

A Vitamina A pode ser considerada como um grupo de compostos que apresentam diversas ações no organismo. É isso mesmo! Vitamina A é uma forma genérica de chamar muitos compostos que têm ações parecidas.

De forma geral, a Vitamina A encontrada em alimentos de origem animal é chamada de Vitamina A pré-formada. Ela é absorvida na forma de um composto chamado Retinol, considerado uma das formas mais ativas da vitamina A. O fígado, leite integral e alguns alimentos fortificados são as fontes mais ricas desse composto.

A Vitamina A encontrada em alimentos vegetais é chamada de pró-vitamina A, ou carotenóide. No nosso organismo ela pode ser transformada em Retinol (a forma ativa da Vitamina A). As formas mais comuns de carotenóides encontradas nos alimentos são o betacaroteno, alfa-caroteno e a beta-criptoxantina. Dentre eles, o beta-caroteno é a forma mais facilmente convertida em Retinol.

Portanto, quem come beta-caroteno, transforma esse composto em Retinol quando o organismo necessita.

São conhecidos cerca de 563 carotenóides na natureza. Menos de 10% deles podem ser convertidos em vitamina A no organismo.

Cerca de 34 carotenóides foram identificados no organismo humano.

Cerca de 60 a 75% do betacaroteno pode ser convertido em Vitamina A no organismo humano. As demais formas de carotenóides apresentam uma conversão de apenas 2%. Portanto, o beta-caroteno é o mais importante e eficiente.

Se eu não ingerir vitamina A, mas apenas beta-caroteno, vou ter deficiência de Vitamina A?

Não. O betacaroteno é convertido na forma ativa da Vitamina A, o chamado Retinol. Assim, quem ingere betacaroteno em quantidade suficiente não precisa ingerir a Vitamina A de origem animal.

Quais são as ações da vitamina A ou dos carotenóides?

Esses compostos apresentam inúmeras ações no nosso organismo.

Eles têm papel na visão, crescimento ósseo, reprodução, divisão das células, regulação do sistema imunológico, prevenção de infecções, reforçam as barreiras protetoras do corpo (pele, pulmões, intestinos e trato urinário) dificultando que bactérias e vírus penetrem por esses órgãos para invadir o nosso organismo.

Há estudos associando o uso de betacaroteno com benefícios ou riscos à saúde?

Sim, há alguns.

Há estudos associando o uso de suplementos de betacaroteno com uma maior incidência de câncer de pulmão e morte em tabagistas. Esse estudo é sujeito a muitas críticas, pois as pessoas estudadas tinham fatores de risco muito altos para desenvolver problemas pulmonares, e a suplementação de elementos que poderiam favorecer a proliferação das células dos pulmões (como a vitamina A nessa situação), poderia ter efeito negativo, como ocorreu.

O ponto interessante dos estudos é que o maior consumo de beta-caroteno proveniente de alimentos naturais está associado com a redução de diversos tipos de câncer. O mesmo não ocorre com o uso de suplemento de betacaroteno. Tudo indica que a proteção é mais eficaz devido aos componentes vegetais presentes nos alimentos, do que simplesmente pelo betacaroteno.

O maior consumo de betacaroteno proveniente de alimentos está associado com a redução de diversos tipos de câncer, especialmente de pulmão, cavidade oral, laringe, faringe e colo de útero.

Uma doença ocular específica que ocorre com o envelhecimento (degeneração macular senil), que é causa mais comum de cegueira irreversível em idosos norte-americanos, canadenses e europeus, tem sua incidência reduzida nas pessoas com maior ingestão de betacaroteno.

Alguns estudos, mas não todos, mostram que as pessoas que têm maior ingestão de betacaroteno têm menor incidência de catarata.

As doenças cardiovasculares também são menos prevalentes nas pessoas com maior ingestão de beta-caroteno.

Quais são as necessidades diárias de Vitamina A ou de betacaroteno?

Não há uma recomendação oficial estabelecida para o consumo de betacaroteno ou de outros carotenóides.

O Instituto de Medicina dos Estados Unidos estabelecem que o consumo diário de 3 a 6 mg de betacaroteno (o que equivale a 833 a 1667 UI de vitamina A) mantém os níveis de betacaroteno no sangue adequados e se associam com a redução do risco de diversas doenças crônicas. Essa quantidade pode ser atingida ingerindo 5 ou mais porções diárias de frutas e hortaliças, incluindo as de folhas verdes escuras e as de cor amarela.

A deficiência de Vitamina A

Essa deficiência é mais comum em países em desenvolvimento.

Cerca de 250.000 a 500.000 crianças desnutridas em países em desenvolvimento ficam cegas a cada ano por deficiência de Vitamina A.

Em adultos, o uso de dietas restritivas em alimentos ricos nessa vitamina e o consumo excessivo de álcool são as principais causas de carência. A deficiência de zinco associada à de Vitamina A, comum nesses indivíduos, reduz a eficiência do organismo em retirar a vitamina A dos estoques corporais para ser utilizada. Isso agrava a deficiência.

A falta de ferro também atrapalha o metabolismo da Vitamina A.

Quais são os sinais e sintomas da deficiência de Vitamina A?

A cegueira noturna é um dos primeiros sinais de deficiência dessa vitamina. Quando há a carência da vitamina, a córnea fica seca e há lesões na retina. No Egito antigo, ela era curada com o consumo de fígado.

Também ocorre redução da imunidade, tanto na proteção contra a invasão de bactérias e vírus (redução da proteção pela passagem desses invasores pela pele, pulmões, trato urinário e digestivo) quanto pela menor habilidade do organismo em lutar contra esses germes que já invadiram o organismo.

Alterações de pele podem ser vistas também.

Encontramos crianças sem deficiência de vitamina A, mas com estoques corporais dessa vitamina já reduzidos. Nessas condições, essas crianças já apresentam maiores riscos de infecções respiratórias e diarréia infecciosa.

Há problema em ingerir vitamina A em excesso?

Excesso de ingestão de vitamina A (hipervitaminose A) proveniente de fontes animais (principalmente fígado) ou de suplementos, pode ser nociva.

São 4 os principais problemas que a hipervitaminose A pode ocasionar:

- Defeitos no desenvolvimento fetal;

- Anormalidades no funcionamento do fígado;

- Redução da densidade mineral óssea (resultando em osteoporose);

- Desordens no sistema nervoso central.

Os sintomas de toxicidade podem aparecer após curtos períodos de tempo de ingestão excessiva, se manifestando com náuseas, vômitos, dor de cabeça, tontura, alterações na visão e falta de coordenação muscular.

Há derivados da vitamina A (retinóides) utilizados em dermatologia para o tratamento da acne, psoríase e outras desordens da pele. A Isotretinoína (Roccutane® ou Accutane®) são exemplos e podem causar sérias conseqüências ao fígado e especialmente ao feto (caso a mulher esteja ou fique grávida) durante o tratamento, devendo, por isso, ser acompanhada de perto pelo seu médico.

Há riscos em ingerir betacaroteno em excesso?

Os carotenóides, como o beta-caroteno, ingeridos em altas doses são considerados seguros pois não estão associados a efeitos nocivos ao organismo.

Quando os estoques de Vitamina A (Retinol) do organismo estão repletos, a conversão do betacaroteno em Vitamina A é diminuída.

A coloração amarelada da pele ocorre, mas isso não é considerado perigoso à saúde.

O consumo elevado betacaroteno apenas deixa a pele amarelada. A questão aqui é apenas estética e não traz prejuízo algum ao organismo.

Estou amarelo. Como faço para ficar menos amarelo?

Você pode ingerir menor quantidade dos alimentos mais ricos em betacaroteno, como cenoura, abóbora, mamão, batata-doce…

Você pode utilizar a cenoura e tomate sempre crus.

Reduza o consumo de óleos nas refeições que contêm alimentos ricos em betacaroteno.

Se a sua intenção for justamente o contrário, ou seja, aumentar a ingestão de betacaroteno, faça justamente o contrário do que descrevi acima.

Por quê?

A biodisponibilidade (o quanto conseguimos absorver) de carotenóides provenientes de alimentos crus pode ser de menos de 5% (como na cenoura crua).

O alimento cozido apresenta uma melhor absorção de carotenóides do que o cru. Isso é verdadeiro especialmente para o licopeno, um carotenóide encontrado em maior abundância no tomate, goiaba vermelha e melancia, e que está associado com a redução do risco de câncer de próstata.

No entanto, o cozimento (em água) prolongado de hortaliças reduz a absorção de carotenóides, pois altera a sua estrutura. Como exemplo, a cenoura crua, quando cozida, perde 27% da sua forma ativa de carotenóides. Já o cozimento breve aumenta a absorção.

A absorção de carotenóides é intensificada quando há ingestão de lipídios na mesma refeição.

A menor biodisponibilidade de carotenóides (da menor para a maior) pode ser encontrada na seguinte seqüência: espinafre (folhas cruas), cenouras e pimentões (crus), tomate (suco cru sem gordura), cenoura e pimentões (moderadamente cozidos), suco de tomate (cozido com óleo), abóbora, cará, inhame e batata-doce, mamão, pêssego e suplementos naturais ou sintéticos (preparados com óleos).

Apenas a título de curiosidade, as margarinas enriquecidas com fitoesteróis reduzem a absorção de carotenóides.

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Namaskara Moon News # 6

FIlosofia, Posturas, Nutrição, Eventos e mais!

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PRÁTICA E DESAPEGO: A BUSCA DO EQUILÍBRIO EM MEIO À DUALIDADE.

ARTIGO por Mario Reinert

Quando falamos em praticar Yoga ou qualquer outra atividade, seja ela física ou não, estaremos sujeitos ao equilíbrio entre o quanto nos dedicamos, ou seja, nosso esforço em busca da realização e o quanto respeitamos nossos limites e o tempo de maturação que cada atividade exige.

Este equilíbrio será diferente pra cada pessoa, pois por mais semelhantes que sejamos entre nós, nossas diferenças são inúmeras, ou seja, somos únicos, sem igual em toda a existência. Sendo únicos mas semelhantes, muitas vezes acabamos por buscar em nossa semelhança com o outro os motivos para nossa felicidade, ou seja, se vejo alguém fazendo determinada coisa e aparentemente feliz, acredito que aquilo possa também me trazer felicidade. Para o filósofo Espinosa, isso se chamava emulação: “ela se chama emulação, que, portanto, nada mais é do que o desejo de uma coisa que nasce em nós porque imaginamos que outros seres semelhantes a nós tem o mesmo desejo” (Ética, III, proposição 27, escólio). Bastaria então ver uma “coisa semelhante a nós” desejar algo, para desejarmos a mesma coisa.

Deste princípio da emulação buscamos, mesmo sem perceber, no outro, e não em nós mesmos, o caminho da nossa felicidade. A publicidade se baseia nisso e, ao ver alguém na tela fazendo determinada coisa e sendo aparentemente feliz, acaba-se tendo a sensação de que comprando aquilo, ou fazendo aquilo, você também será feliz. Da mesma maneira tendemos a seguir exemplos e muitas vezes anulamos nossas próprias qualidades em busca de um caminho que não é o nosso.

Isto não significa que não possamos seguir exemplos e aproveitar das semelhanças para nosso desenvolvimento. Muitas vezes um bom exemplo pode nos poupar muitos anos de cabeçadas e caminhos errados. Apenas devemos estar atentos para em nosso caminho aprender com o outro e não querer ser, ou confundir-se em meio ao desejo de realizar o que o outro realiza, pois no autoconhecimento há vários caminhos diferentes e únicos para cada ser.

O problema é que essa confusão da “emulação” se espalha por todos os campos da relação humana. Na prática de Yoga por exemplo, se vemos alguém fazendo uma postura que não conseguimos, nos sentimos frustrados e temos o desejo de fazer aquilo, pois “quando eu conseguir isso” eu com certeza serei mais evoluído, mais feliz, ou vou poder fazer outras posturas que desejo e assim por diante. Não há nada de errado nisso, é algo natural que pode acontecer com todos nós, e pode até nos fazer superar barreiras e limitações. A armadilha está em não percebermos que isso é um “desejo por semelhança” e não uma busca verdadeira sua. Se caímos nesta armadilha, transferimos para nossa prática as mesmas relações que se estabelecem no mundo lá fora, “quando eu tiver isso aí sim”, “se eu me casar” ou “conseguir aquele emprego”, ou “tiver um filho”, “ou “se eu fizer a postura x”, aí sim vou ser feliz. Acontece que o contentamento verdadeiro só pode ser encontrado dentro de nós mesmos, ou pra citar Espinosa novamente, quando formos a “causa adequada” da nossa felicidade.

Por isso cada ser terá por sua unicidade, seu próprio equilíbrio, entre o fazer, que é a energia para a realização e o desapego, que é a entrega para que as coisas se façam por si mesmas. Você deve se esforçar para plantar uma semente, tem que preparar a terra, cultivá-la, regá-la e dar todas as condições para que esta semente se desenvolva isso é uma forma de Abhyasa (prática). Mas é a própria semente que tem que germinar e crescer e, se o tempo desta não for respeitado, se você quiser colhê-la antes do tempo, impedirá que seus frutos se desenvolvam. Deixar que a semente tenha seu tempo, que cresça por si mesma, que possa de desenvolver e dar frutos, entregar para que as forças e leis maiores que você façam o esforço, confiar e aceitar o resultado independente de qual ele seja, isso é uma forma de Vairagya (desapego).

Para concluir, o que pode manter o equilíbrio entre Abhyasa (prática) e Vairagya (desapego) é o discernimento (Viveka). É isso o que nos permite saber o quanto de esforço fazer e o quanto entregar. Sem isso tentamos mudar o que não precisaria ser mudado e aceitamos o que nos tira a nossa potência de ser. Assim, quanto mais conhecermos nossa natureza, quanto mais conhecermos a nós mesmos, menos energia será desperdiçada, pois agiremos com discernimento, em confluência e harmonia com as forças que regem a vida e estaremos no caminho de sermos a “causa adequada de nossa própria felicidade”.

Pratique, entregue e observe-se, buscando o discernimento. Namastê!

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POSTURA por Renata Ventura:

ARDHA CHANDRASANA – Postura da meia lua

Ardha = meio

Chandra = Lua

As posturas em pé nos ensinam os princípios para um movimento correto. Essenciais dentro da prática de ásanas e ainda mais na vida, as posturas em pé desenvolvem nossa sabedoria da maneira correta de se sentar, andar e simplesmente ficar em pé! Todo corpo ganha força e flexibilidade. A postura da Meia Lua nos inspira como a lua nova e conecta o ser a Terra assim como ao Céu. Podemos estabelecer esta leitura percebendo uma mão e um pé ao solo, assim como a outra mão e pé em equilíbrio ao céu.

Entrando na postura:

• A partir de Tadasana, inspire e salte afastando as pernas e braços lateralmente. Leve o pé de trás cerca de 15° para dentro e o pé da frente 90° para fora. Em uma expiração entre em Utthita Trikonasana, estendo bem o tronco. Mantenha por 2 ou 3 respirações e flexione o joelho direito e leve a ponta dos dedos da mão direita a frente do pé direito cerca de 20 cm. Esta mão deve estar em linha com o pé ou suavemente a lateral.

Aproxime a perna esquerda da direita e eleve a perna esquerda simultaneamente estendo o joelho direito da perna de base. Mantenha a perna esquerda paralela ao solo.

Fique firme sobre o pé direito, especialmente sobre o calcanhar e entre o dedão do pé e o segundo dedo. Mantenha o tônus na perna de base e alongue a perna elevada desde a virilha interna ao calcanhar interno.

Alongue as laterais do tronco e gire o tronco para o teto, levando a escápula de baixo para frente e o ombro de cima para trás. Afaste os braços desde as escápulas aos punhos e dedos das mãos. Gire a cabeça e olhe para cima.

Permaneça por uns 30 segundos. Para sair, expire, flexione a perna de base, volte para Trikonasana. Observe se os pés estão alinhados e na distância correta. Inspire e eleve, pés e braços paralelos, salte e volte para Tadasana. Repita para o outro lado!

Efeitos:

• Expande o peito e os ombros;

• Aumenta a mobilidade na articulação do quadril

• Melhora o equilíbrio

• Alonga a musculatura da coluna

• Fortalece e tonifica os músculos das coxas

• Aumenta a propriocepção dos pés e tornozelos

• Usada para melhorar desconfortos do período menstrual e digestão, massageia e expande os órgãos abdominais, assim como o útero e ovários.

Cuidados:

• Durante o período menstrual e problemas nos joelhos, não salte. Apenas afaste as pernas para entrar e sair da postura

• No caso de desconforto ou problemas no pescoço, olhe para baixo ou para frente mantendo o pescoço no prolongamento da coluna

• Mantenha o tônus da perna de base para não hiper estender o joelho, se necessário, flexione levemente a perna.

Boas Práticas!

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Dicas de Eventos:

INTENSIVO NAMASKARA DE VERÃO EM PARATY – RJ – Opção para o FIM DE SEMANA

De 05 a 09  ou de 07 a 09 de fevereiro.

Nossa intenção é começar o ano de uma maneira auspiciosa em contato com a natureza e com outros buscadores, por isso realizamos todos os anos o nosso Intensivo de Verão, desta vez será em Paraty – RJ.

O local escolhido é a Pousada Dharma Shala, na Eco Vila Goura Vrindhavana. Um lugar aconchegante integrado com a Natureza, com vista para o mar (Bahia de Ilha Grande).

Todos os níveis de praticantes são bem-vindos, as diferenças sempre geram novos aprendizados a todos.

As práticas serão na Pousada Dharma Shala , que apesar de seu recolhimento junto à natureza, possui vista para a Bahia de Ilha Grande.

Saiba mais no site>>

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APROFUNDAMENTO EM YOGA E TREINAMENTO DE PROFESSORES 2014

Mais uma turma começa o Curso de Aprofundamento este ano, é um curso diferente e multidisciplinar, que aborda o Yoga de Maneira prática e teórica, além de Nutrição Vegetariana com o Nutrólogo Eric Slywitch, Ayurveda com o Dr. Luiz Guilherme Corrêa Neto, Antomia e Biomecânica com Fernanda Zornoff entre outras disciplinas.

A parte de ásanas é baseada no sistema Vinyasa de Sri Krishnamacharya e Sri K Pattabhi Jois.

Início em Março de 2014.

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NUTRIÇÃO E VEGETARIANISMO com o Dr. Eric Slywitch

VITAMINA D

A deficiência de vitamina D é cada vez mais prevalente no mundo inteiro.

Quem é ela?

A vitamina D, é uma vitamina com função hormonal.

Ela é lipossolúvel, ou seja, se mistura com gorduras, e pode ser estocada no nosso organismo.

Qual é a sua função?

Até alguns anos atrás acreditávamos que a sua função estava quase que completamente direcionada para manutenção da saúde óssea e redução do risco de osteoporose, assim como um melhor controle dessa doença, quando ela já existe.

No entanto, os estudos mais recentes demonstram que ela possui mais funções, e quando os seus níveis estão reduzidos no sangue, pode haver maior possibilidade de desenvolvimento de algumas alterações, como dor e fadiga muscular, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, câncer de mama, cólon e próstata, diabetes, esclerose múltipla, artrite reumatóide e lúpus.

Como conseguimos obter a vitamina D

A vitamina D pode ser produzida no nosso organismo através do contato da pele com a luz solar ou pela ingestão de alguns componentes animais, como o óleo de fígado de peixe, peixes gordos e alimentos fortificados (como leite e cereais matinais)

O colesterol, naturalmente presente no nosso organismo, é a matéria-prima para a produção de Vitamina D. Quando os raios solares atingem a nossa pele, o colesterol (7-deidrocolesterol) que está nela é transformado na Vitamina D pró-ativa, ou seja, uma vitamina D que ainda não funciona direito.

Essa vitamina D pró-ativa vai até o fígado e depois até os rins. Os rins é que transformam a vitamina D pró-ativa na sua forma ativa, ou seja, na forma que realmente funciona.

Teoricamente, quem se expõe ao sol de forma adequada não necessita ingerir vitamina D. Conversaremos sobre isso à frente.

Como a Vitamina D atua nos ossos?

A partir do momento que a vitamina D se torna ativa ela atua em órgãos específicos: rim, intestino e ossos.

No intestino ela intensifica a absorção do cálcio ingerido. Portanto, quem tem pouca Vitamina D circulante no organismo absorve menos cálcio da dieta.

No rim ela evita que o cálcio seja perdido pela urina. Portanto, quem tem pouca Vitamina D circulante perde mais cálcio pela urina.

Como o organismo precisa manter os níveis de cálcio no sangue sempre adequados, ele utiliza o cálcio que está nos ossos quando falta cálcio no sangue. Isso quer dizer que ocorre redução da massa óssea para equilibrar o cálcio no sangue, quando ele estreduzido.

Alguns estudos científicos sugerem que a Vitamina D é mais eficiente do que o cálcio no controle e prevenção da osteoporose.

Quem tem risco de apresentar deficiência de Vitamina D?

• As pessoas que não se expõem adequadamente aos raios solares estão em risco de ter deficiência de Vitamina D.

• Moradores de cidades onde há poluição também estão em risco, já que nesta situação ocorre redução da incidência da irradiação solar.

• Os obesos apresentam maior risco de deficiência de vitamina D, pois a transformação da pró-vitamina D na sua forma ativa é prejudicada pelo tecido adiposo.

• Os idosos, por ter uma pele mais fina, apresentam maior dificuldade de formação da vitamina.

• Os negros, pela maior pigmentação da pele, têm redução da atuação dos raios solares que devem entrar em contato com o colesterol da pele para a formação dessa vitamina.

• Pessoas com problema renal, especialmente na insuficiência renal crônica têm dificuldade em ativar a vitamina.

Vegetarianos tem maior risco de deficiência de Vitamina D?

Os estudos demonstram que os vegetarianos costumam apresentar menores níveis sanguíneos de Vitamina D do que os onívoros. Isso pode ser explicado pelo não consumo de peixes gordos e óleo de peixe, assim como alguns produtos fortificados (que costumam ser os laticínios ou cereais matinais) nos Estados Unidos.

No Brasil a fortificação de alimentos com Vitamina D não é uma prática comum.

Assim, os riscos de deficiência de vitamina D são similares para vegetarianos e não vegetarianos no Brasil.

Quais são os sinais e sintomas da deficiência de Vitamina D?

Na falta de vitamina D ocorre retardo na formação e crescimento das cartilagens dos ossos. Nos adultos isso se chama osteomalácia, e nas crianças, raquitismo.

As crianças com raquitismo apresentam deformidades nos locais onde o osso suporta mais peso do corpo. Assim, as pernas ficam arqueadas.

Elas podem apresentar retardo de crescimento, inchaço nos punhos, joelhos e tornozelos. As costelas podem sofrer algumas alterações (que são chamadas de rosário raquítico).

O surgimento dos dentes pode ser tardio ou interrompido, assim como os dentes podem apresentar deformidades. Os músculos se tornam fracos e as crianças irritadas.

É por todas essas conseqüências que freqüentemente os pediatras recomendam o uso de suplementos vitamínicos que contenham Vitamina D desde os primeiros meses de vida.

Em adultos, os baixos níveis de Vitamina D são, na grande maioria das vezes, assintomáticos, e os adultos nessas condições são mais propensos à osteoporose.

Recomendação de exposição à luz solar

Não podemos considerar que a exposição casual à luz solar seja suficiente para suprir as necessidades de vitamina D.

É muito comum para a maioria das pessoas que vivem em cidades não se exporem adequadamente à luz solar. A produção de vitamina D pode ser ainda mais reduzida pelo uso de filtros solares no dia-a-dia. E para piorar, existe o insulfilm nos carros, o ar condicionado para manter as janelas fechadas, o horário comercial para manter as pessoas trabalhando enquanto o sol está brilhando.

Alguns autores recomendam que as pessoas se exponham aos raios solares por 5 a 30 minutos em mão, antebraços e face três vezes por semana, como um tempo e freqüência mínima para manter as concentrações sanguíneas adequadas de vitamina D. Após esse período de exposição pode-se utilizar o filtro solar, como medida preventiva aos danos causados à exposição ao sol (rugas e câncer de pele). No entanto, isso não é garantia de um bom nível de Vitamina D no sangue. Atendo diversas pessoas que conseguem se ajustar a essa recomendação e mesmo assim apresentam baixos níveis da vitamina.

Filtros solares e vitamina D

A aplicação de filtro solar com fator 8 pode reduzir em 95% a produção de vitamina D pela pele. Os idosos tendem a ser o grupo mais afetado por essa prática, já que, naturalmente, produzem menos vitamina D. Dessa forma, é preconizado que as pessoas que utilizam filtros solares diariamente, se exponham inicialmente ao sol por alguns minutos antes de utilizarem filtros solares.

A prevenção de rugas e câncer de pele se faz com o filtro solar. Cuide da Vitamina D, mas não danifique a sua pele!

Como fazer o diagnóstico da Vitamina D?

É importante haver a dosagem sanguínea dessa vitamina.

Muitos laboratórios fazem essa mensuração no Brasil, mas não são todos os convênios cobrem o exame. O valor pago (quando feito como particular) por esse exame varia muito de laboratório para laboratório. Recomendo, fortemente, que faça uma boa cotação entre os laboratórios, pois as variações são, às vezes, absurdas.

Sua avaliação correta depende de outros fatores ligados ao seu metabolismo. Portanto, sua dosagem isolada não é adequada para saber o quanto ela está atrapalhando o metabolismo ósseo.

Suplementação de vitamina D para manutenção dos níveis adequados de Vitamina D no sangue.

Para indivíduos que não se expõem adequadamente ao sol pode ser utilizada uma dose diária de 400 ou 500 UI de vitamina D para a manutenção.

Há a opção de utilizar doses mais elevadas, em poucas tomadas por mês.

A vitamina D2 (ergocalciferol) é menos eficiente do que a D3 (colecalciferol) para a manutenção dos níveis adequados de vitamina D. Havendo a intenção de utilizar a Vitamina D2 (mais difícil de ser encontrada no mercado) a dosagem deve ser corrigida.

Estudos demonstram que em idosos, para a prevenção de fratura de quadril (bacia) e outras regiões, a dose de vitamina D suficiente seria de 700 a 800 UI por dia. Para esses indivíduos, a dose de 400 UI não é suficiente. O uso de vitamina D em pacientes idosos reduz o risco de fraturas e quedas em mais de 20%.

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